O lidar com a dor!

sabe-o-que-doi-e-fingir-que-nao-ta-doendo

Levante a mão quem nunca sentiu dor?

Tenho certeza que não veria uma mãozinha no ar…afinal, todos nós já passamos, estamos passando ou iremos passar por alguma situação que promove dor, é intrínseco ao estar vivo; sendo que o que dói pode chegar das mais variadas formas: um conflito no trabalho, um desentendimento com o marido/esposa, o aparecimento de uma doença, a perda de alguém importante…não dá pra enumerar as possibilidades geradoras de dor, tão pouco sua dimensão e importância.

Nada é mais particular que a vivência da nossa dor e geralmente ela se mostra maior, mais pesada e difícil de lidar justamente porque é nossa!! Nessas horas, nenhum paralelo com outras dores ou exemplos aplaca o que sentimos. Por isso insisto tanto na ideia de “dar lugar a dor”. Negar, fugir, esconder, não faz com que ela desapareça, ao contrário, a tendência é que ela tenha um efeito rebote e apareça de forma mais avassaladora ainda…Ou pior, que ela ecoe de outra maneira na tentativa de se manifestar, como através das somatizações, por exemplo, e aí estamos falando de uma grande bola de neve emocional. A dor subjetiva transformada em dor concreta.

Dar lugar a dor também não significa dividir tudo com todos a todo tempo, apenas como um escoar ou livrar-se do que se sente. Esse oposto também pode gerar certa fragilidade ao perceber que suas questões estão tão expostas e sujeitas a mil intervenções. Desta forma pode-se sofrer por transferir a responsabilidade de suas dores e por sentir-se invadido pelo outro.

Acredito que a proposta seja a de respeitar seu tempo para possibilidade de lidar com a dor e a partir daí compartilhar com alguém que caiba neste papel de cuidado; considerando desde alguém afetivamente vinculado, como um amigo(a), pai, mãe, irmão/irmã, parceiro(a) até um profissional qualificado para esta demanda, como um Psicólogo(a). Honestamente vejo valor em ambos os papéis, inclusive acredito que sejam bem complementares, visto que exercem funções com nuances bem diferentes.

De um lado pode existir o colinho, o aconchego, a crítica, a bronca e todo leque de ações e emoções que o vínculo afetivo oferece e, por outro lado pode existir o espaço, o tempo, o acolhimento e o posicionamento afinado do olhar de um profissional, na distância necessária para percepção de pontos que podem se perder no emaranhado afetivo das outras relações. Perfeito!!

Com toda essa oferta de ajuda, de apoio, de mãos para serem dadas porque não compartilhar a dor e dar a chance para que ela possa se transformar através da elaboração junto ao outro? Pense nisso…

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