Fenomenologia Existencial

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Por todo o tempo de construção do blog e de matérias para o site Opinião RH venho falando em Psicoterapia, mas percebi que nunca me atentei a falar de forma mais direta sobre minha linha de atuação: a Fenomenologia Existencial. Bom motivo para um novo texto, passando rapidamente pelo meu entendimento sobre Psicoterapia e posteriormente sobre a Fenomenologia.

A Psicoterapia é um processo que consiste na busca de uma compreensão mais ampla e profunda do existir do paciente a partir da queixa trazida pelo mesmo. As razões para busca da Psicoterapia são os grandes motivadores que constroem a possibilidade do processo, porém, via de regra, tais razões estão ancoradas em outras tantas questões que compõem a vida, que para se aproximar demanda tempo e disposição.

A Fenomenologia Existencial é uma perspectiva teórica da Psicologia que nasceu do pensamento filosófico e tem como principal expoente o filósofo alemão Martin Heidegger. Orienta seu olhar para o fenômeno, cujo enfoque se dá na complexa relação do homem com o mundo. Busca-se o sentido de ser, rompendo com a causalidade linear, com o pensamento calculante e suas representações teóricas.

Entendo a Fenomenologia como uma linha de atendimento clássica, dentro dos padrões comuns de funcionalidade para um processo de Psicoterapia, ou seja, na prática demanda a periodicidade mínima de 1 sessão por semana, com 50 minutos de duração e tempo indeterminado de processo; utiliza-se da fala, do verbal, como instrumento de trabalho e não se desenrola em nenhuma outra proposta alternativa de terapêutica. O grande diferencial, aos meus olhos, é com relação ao reporte teórico utilizado pelo Terapeuta.

 A compreensão do existir humano através da reflexão Heideggeriana permite o esclarecimento do viver do paciente segundo seu modo de ser-no-mundo junto com os outros, num mundo compartilhado; possibilitando, assim, que o olhar do terapeuta seja guiado pelos significados e sentido do modo de existir de cada paciente.

Grosso modo, para se aproximar da perspectiva Fenomenológica, parte-se da constatação simples e lógica de que não se pode compreender o Homem da mesma maneira que compreende-se outros seres e objetos, visto que cabe apenas ao Homem duas condições fundamentais ao existir: o ser livre o ser-para-morte. Ambas as condições são potenciais de angústia e culpa, já que a liberdade chama a cuidar da responsabilidade pelas próprias escolhas e a consciência da finitude chama a cuidar do estar vivo com valor e sentido.

Apesar das condições serem comuns a todos os Homens, cabe a cada um entender com qual disposição dará conta de ser-no-mundo e esse ponto é extremamente singular. Assim, o paciente em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial tende a assumir uma postura mais ativa dentro do processo, apropriando-se da vida de forma mais responsável, encontrando maneiras mais saudáveis de relacionamento consigo e com o mundo, descobrindo seus potenciais e aprendendo a cuidar de forma criativa de sua existência.

A oportunidade de se (re) conhecer, na Psicoterapia, fala do saber de si mesmo, que acontece na aproximação com as próprias questões em uma relação de intimidade. A proposta é a de se comprometer em uma parceria na busca pela verdade do paciente; é a de construir um vínculo de confiança que ofereça a possibilidade de ouvir o que as emoções, comportamentos e relações têm a dizer; e a partir daí, elaborar novos caminhos para ultrapassar as dores e dificuldades. É a ocasião propícia para que a história do paciente seja revelada e tenha permissão para ser cuidada.

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