Saúde X Doença – Pensando a Psicossomática

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Entendo Psicossomática como um conceito redundante, afinal, existe a possibilidade de alguma doença não estar ligada também a uma experiência emocional? Aos meus olhos a ligação corpo e mente é uma condição do Homem.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o termo saúde diz respeito ao perfeito bem estar físico, mental e social do indivíduo e não apenas à ausência de doença; enquanto doença se caracteriza como um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam o indivíduo, alterando o seu estado normal de saúde. Ou seja, saúde e doença são conceitos que se referem a um estado do indivíduo, a um “estar sendo” que se modifica com constância.

Adoecer é um processo gradual, fala da somatória de fatores psicológicos, fisiológicos e sociais, além de ser uma possibilidade encontrada, muitas vezes, para denunciar desequilíbrios no pensar, agir e sentir do indivíduo. Basta que não se consiga dar conta de uma expressão, que não se encontre uma via psíquica para representação de algum conflito, que não se saiba conduzir uma questão subjetiva, para transformar conteúdos internos e/ou angústias em sintomas.

Todos os afetos e representações podem ser mobilizados no processo do adoecer e o sintoma é o ponto de partida para compreensão do sentido da doença; aponta para um caminho de cuidado; momento em que o indivíduo passa a pensar e prestar atenção em seu corpo e não só a vivê-lo. Este corpo passa a ser percebido porque foi problematizado e daí vem o estímulo para tentar encontrar mecanismos solucionadores.

Dependendo da maneira como o indivíduo encarará este processo, poderá ser destrutivo, de entrega ou fuga do problema, ou poderá ser um período de reflexão sobre si e os fatos acontecidos, que se segue por um desenrolar de crescimento, amadurecimento e principalmente autoconhecimento.

O necessário dentro deste contexto é reconhecer a doença como uma situação pessoal, da qual o próprio indivíduo define o curso, independente do diagnóstico, da evolução da doença já conhecida pela área da Saúde, do prognóstico e dos recursos para seu tratamento. Cabe ao indivíduo dar o caminho à sua enfermidade, significar a sua doença, o tratamento e toda situação da sua vida.

O corpo fala através da doença e o lidar com este processo se refere à capacidade de dar sentido ao que aparece e mudar a atitude em vista da doença. Desta forma ela vem a funcionar como um processo de reorganização e integração do indivíduo.

A proposta em um processo de Psicoterapia é a de caminhar junto ao paciente a fim de desvelar o sintoma e quebrar o padrão da doença, oferecer recursos para compreensão de seu processo e responsabilidade sob seu cuidado. A ideia é despertar o curador interno do paciente e deixá-lo aproveitar da doença para se tornar mais saudável.

Assim passa-se a entender saúde e, consequentemente doença, de uma forma mais plausível, desconstruindo a proposta fantasiosa de perfeição vinculada ao conceito e dando lugar a possibilidade de pensar Saúde enquanto um estado de harmonia entre o indivíduo e sua realidade.

Crise e Superação

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Não dá pra negar que este é o tema do momento: CRISE!! De forma direta ou indireta todos estão inseridos neste contexto, buscando se reinventar ou, minimamente, refletir a respeito. Por isso considero interessante desenrolar aqui este pensar…

Acredito que o significado que mais se encaixe no conceito de crise atual seja: “Conjuntura ou momento perigoso, difícil ou decisivo” e “Desacordo ou perturbação que obriga instituição ou organismo a recompor-se ou a demitir-se”. Sem dúvida falamos de um momento difícil, de uma perturbação que demanda reestruturação em todos os níveis, mas o fato é que esta crise política / econômica vem destacar o quanto somos vulneráveis e estamos sujeitos a mudanças repentinas e transformações constantes. São processos que podem representar tanto desenvolvimento quanto perda e geram, inevitavelmente, algum tipo de sofrimento.

A grande questão é: frente a alguma possibilidade de perda, conseguimos manter a mesma perspectiva de sentido pra vida? É da condição humana estar sempre em busca de um “para quê” e é a partir daí que fazemos nossas escolhas, assumimos nossas ações e definimos caminhos. O sentido que configura o que denominamos como sonhos!! O difícil é conseguir acolher como parte da vida algum acontecimento que chega, desarticula tudo e coloca em jogo nossos sonhos.

Muitas vezes tendemos a manter os sonhos originais a qualquer custo e hoje percebo que pode ser uma grande armadilha, uma forma de se aprisionar a um ideal e deixar de experimentar as oportunidades reais que, geralmente, processos de mudança oferecem. Essa abertura fala do deixar morrer de sonhos antigos para possibilidade do nascer de novos sonhos.

Essa negociação não é fácil, muitas vezes o redesenhar de um plano já gera angústia, ansiedade, medo; imagina o assumir do vazio de uma perda, da desconstrução de algo: pode ser avassalador! Mas é justamente no espaço do vazio que se evidencia a necessidade de superação e sobrevivência, que me parece quase instintiva, e cabe tentar usá-la da maneira mais criativa possível. É na condição da angústia que propomos a nos modificar, que aceitamos negociar, que nos arriscamos, que lançamos mão de diversos recursos e elaboramos as melhores alternativas para estar saudável de novo.

Segundo dizem alguns mitos e rituais da história: aquele que renasce é maior que aquele que morreu. Ou seja, é hora de entrar em sintonia com as novas necessidades, ter os sentidos afiados para as oportunidades e assumir possibilidade de renascer de momentos conflitivos e intensos.

Divertida Mente!!!!!!

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Tantas pessoas falaram deste filme pra mim, principalmente no consultório, que eu estava enlouquecida para assistir. Perdi a chance no cinema, mas “fiz” a chance acontecer neste feriado e agora, não paro de pensar sobre ele…

Acredito que seja quase uma unanimidade a crítica positiva sobre o filme e meu olhar sobre ele é o mesmo. O filme é lúdico, colorido, dinâmico, com uma temática difícil, densa, porém bem desenrolada, nada infantil e incrivelmente reflexivo.

Será que alguém conseguiu não pensar a respeito das questões que ele provoca? Claro que cada um será chamado à atenção através de suas próprias referências, história e momento, mas não dá pra passar ileso.

Interessante e real pensar como cada um se movimenta no mundo através de uma disposição-mãe, que denomino como humor. Essa tonalidade pode se alterar dentro dos contextos, mas a abertura para as relações e situações, via de regra, é gerenciada por um humor chave, por uma emoção que chefia a mesa de operações (essa é pra quem viu o filme…). É importante conseguir identificar a emoção que se destaca mais nas nossas ações / reações, assim a possibilidade de calibrar sua dimensão frente às relações e situações é maior. Não se trata de controlar, mas sim de aprender a lidar.

Outro ponto que achei muito significativo no filme foi o valor e o peso dado ao personagem Tristeza. Tão raro se destacar uma emoção teoricamente negativa, mas neste caso ela se tornou o personagem principal e primordial para o desfecho positivo da trama, o que ao meu ver é sensacional pois questiona o lugar da tristeza na vida de forma geral.

Eu mudaria o nome de Tristeza para Angústia. A princípio a tristeza tende a ser uma emoção que paralisa, que deprime; já a angústia tende a mobilizar, a movimentar, busca resposta, retorno sobre o que incomoda e abre caminho para possibilidades e escolhas. Interpretei desta maneira o desfecho do filme, que se deu através da abertura à mudança mobilizada pela tristeza / angústia.

Ou seja, não é errado, ruim ou negativo se angustiar, é necessário! Pra alguma coisa demandar mudança tem que estar fora do lugar!

O filme ainda tem outras várias nuances interessantes, mas vou parar por aqui senão escrevo um livro e haja paciência pra vocês aguentarem…risos…

E pra vocês, o que foi significativo?