Grupos de Reflexão – A importância do treinamento dentro das Empresas

grupo

Acredito ser essencialmente importante o investimento das empresas em treinamentos tanto técnicos quanto comportamentais. Nesta matéria atentarei ao desenvolvimento de grupos relacionados ao viés comportamental/emocional, visto ser meu foco de trabalho.

 Entendo os aspectos comportamentais enquanto sintomas e acredito na leitura dos mesmos como um caminho para o levantamento de necessidades e/ou identificação de demandas de um grupo.

 Os comportamentos traduzem, muitas vezes, dificuldades de comunicação, relacionamento, hierarquia, definição de papéis e crises diversas advindas de processos de perda ou aquisição (processos de mudança em geral).

 Uma das possibilidades de cuidado neste sentido se dá através dos grupos de reflexão, que são grupos operativos (de ação) aplicados ao ensino/aprendizado. Neste tipo de grupo enfatiza-se o indagar e o refletir sobre questões oriundas de determinado contexto profissional; visa à compreensão de demandas e dificuldades que podem impedir ou impossibilitar que o grupo realize suas tarefas.

 Na condução do treinamento valoriza-se a comunicação grupal e o levantamento dos pontos de tensão, sendo que quanto mais livre e espontânea torna-se a comunicação, maior a possibilidade de que surja um leque de emoções vinculado ao cenário trabalhado.

 A proposta é a de construir um espaço seguro e protegido para que os membros possam entrar em contato com o significado de seus sintomas e cuidar de suas reais necessidades. Protagonizar experiências, com o distanciamento necessário ao olhar crítico, possibilita ao grupo desvelar comportamentos viciados e nocivos. É um processo que permite lançar mão de novos recursos, construir novas possibilidades e modificar dinâmicas, com base na parceria e responsabilidade mútua.

 A vivência grupal também favorece a identificação de demandas individuais, o que permite o encaminhamento para um cuidado mais direcionado, como um processo de Psicoterapia.

 Grupos de reflexão bem sucedidos acabam tendo efeitos terapêuticos, pois fazem uso dos sentimentos como recurso criativo para fortalecer a confiança em todas as suas possibilidades: autoconfiança, confiança nas relações interpessoais, no grupo e confiança organizacional.

 Um time lúcido e próximo cresce em desempenho e realização, ou seja, a saúde do grupo se desdobra no aumento de produtividade, harmonia nos relacionamentos, interação adequada entre os papéis, melhor comunicação e ambiente equilibrado; o que só reitera a importância e o valor do investimento em treinamento e cuidado emocional dentro das empresas, que traz como consequência o sucesso da organização como um todo.

Matéria para o site Opinião RH

(https://opiniaorh.com/2016/03/10/grupos-de-reflexao-a-importancia-do-treinamento-dentro-das-empresas/)

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Psicoterapia X Coaching

Segue abaixo minha matéria do mês de dezembro para o site Opinião RH.

Success metaphor

Percebo na minha rotina profissional que, muitas vezes, existem dúvidas e certa confusão com relação aos temas Psicoterapia e Coaching; sobre a proposta e o processo de cada um. Desta forma, me coloquei o desafio de desenvolver nesta matéria um paralelo entre ambos, mas confesso que não foi tão simples assim, visto que estamos falando do trabalho relacionado ao comportamento humano nas duas situações.

Segundo a Sociedade Brasileira de Coaching: “Coaching é um processo que visa elevar a performance de um indivíduo (grupo ou empresa), aumentando os resultados positivos por meio de metodologias, ferramentas e técnicas cientificamente validadas, aplicadas por um profissional habilitado (o coach), em parceria com o cliente (o coachee).” (Villela Da Matta & Flora Victoria)

 O processo de Coaching busca contribuir para que o cliente atinja seus objetivos e promova melhorias em sua vida, sendo que esses objetivos podem se referir a mudanças comportamentais, relacionamentos, vida profissional, desenvolvimento de competências, bem-estar e qualidade de vida, saúde, entre outros temas que, grosso modo, podemos dividir em 2 grandes caminhos de atuação: o Executive Coaching e o Life Coaching.

Todas as metodologias, ferramentas e técnicas utilizadas no processo são práticas, validadas cientificamente e desenvolvidas em um período de tempo determinado, geralmente acordado em 10 encontros.

Por outro lado a Psicoterapia se utiliza da fala, do trabalho verbal, como grande recurso para sua prática e demanda um tempo indeterminado, visto a singularidade de cada processo.

A Psicoterapia consiste na busca de uma compreensão mais ampla e profunda do existir do paciente a partir da queixa trazida pelo mesmo. Juntos, psicoterapeuta e paciente trabalham essa compreensão para que as dificuldades possam ser superadas a partir da elaboração e/ou construção de novas escolhas e sentido de vida. É a ocasião propícia para que a história do paciente seja revelada, cuidada, muitas vezes re-significada no aqui-agora para um projeto de futuro mais saudável e realizador.

A proposta, na linha em que atuo (Fenomenologia Existencial) é a de que o paciente assuma uma postura ativa dentro do processo, apropriando-se de sua vida de forma mais responsável, encontrando maneiras mais saudáveis de relacionamento consigo e com o mundo, aprendendo a cuidar de forma criativa de sua existência.

Ou seja, tanto a Psicoterapia quanto o Coaching intencionam oferecer um processo de cuidado e realização, mas percebo que o Coaching tende a ser mais focado em uma demanda específica, com prazo para resultados e um olhar mais direcionado para o futuro enquanto tempo de trabalho; já a Psicoterapia se inicia por uma queixa específica, mas se expande, por isso não trabalha com prazos determinados e utiliza do jogo entre passado, presente e futuro para o seu desenvolvimento efetivo.

Fica evidente que são propostas e processos diferentes, porém entendo enquanto serviços complementares e não excludentes, visto que um não se sobrepõe ao outro. Cabe a cada paciente/cliente identificar suas necessidades e desejos para, então, acolher o serviço que se fizer mais adequado ao seu momento de vida. Sem dúvida, através de um dos caminhos ou dos dois caminhos simultaneamente, o paciente/cliente encontrará a oportunidade de se beneficiar de serviços tão únicos, voltados ao cuidado com o Humano.

Para saber mais a respeito do processo de Psicoterapia e proposta de parceria com empresas, entre em contato. Aproveito para agradecer a Karina Mazza (Coach) e a Acorde Coaching, ambos parceiros especiais de trabalho, que colaboraram para o desenrolar desta matéria.

http://opiniaorh.com/2015/12/14/psicoterapia-x-coaching/#more-6965

 

Terapia: pra quê?

duvida

Ainda hoje me deparo com esta questão presente na fala de muitas pessoas, inclusive das mais próximas e que acompanham de perto meu trabalho: “Minha esposa é Psicóloga, tenho muito orgulho. Mas eu? Eu não preciso de terapia”. Essa reação à terapia é muito comum, ainda existe certo preconceito e muitas vezes desinformação a respeito do tema e da prática. 

É interessante pensar que, apesar de ser um cuidado relacionado à Saúde, é como se não fosse validado como tal, bem como é o cuidado realizado por outras especialidades. Se eu tenho dor no peito procuro um Cardiologista, se tenho dor no dente procuro um Dentista, se preciso tratar uma questão postural busco um Fisioterapeuta, e quando diz respeito a “dores da alma”? 

São dores tão passíveis de cuidado como todas as outras, mas dá a impressão que, para muitos, gera incômodo, vergonha, culpa, como se falasse de algum tipo de incompetência ou fraqueza. Sendo que, na verdade, fala de algo que gera sofrimento e precisa de um espaço e tempo para se revelar.

 A abertura para um processo de Psicoterapia fala da busca pela compreensão das mais diversas queixas emocionais. As razões para esta procura são os grandes motivadores que constroem a possibilidade da terapia, porém, via de regra, tais razões estão ancoradas em outras tantas questões que compõem a vida, que para se aproximar demanda tempo e disposição para desatar os nós. 

Daí a Psicoterapia se diferencia de outros tratamentos em Saúde, pois a ideia não é a cura no sentido de eliminar um problema e sim o cuidado, a compreensão para transcender uma dificuldade e transformá-la em oportunidade de crescimento.

 O se (re) conhecer fala do saber de si mesmo, que acontece na aproximação com as próprias questões em uma relação de intimidade. A proposta da terapia é favorecer este processo, é se comprometer em uma parceria na busca pela verdade do paciente. É construir um vínculo de confiança que ofereça a possibilidade de ouvir o que as emoções, comportamentos e relações têm a dizer.

 Nada tão “louco”, não é verdade? Não existe quem não sinta, quem não se emocione, quem não seja tocado pelo mundo, pelas pessoas e coisas. O lugar da terapia é justamente o de movimentar tudo isso, de questionar, de colocar em jogo, de cuidar e compreender através da fala; em nome de um existir mais livre. Ou seja, nada que fale mais e melhor sobre o estritamente humano e comum! Por que não?