Tempo e Trabalho

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É impressionante o quanto este tema aparece nas demandas do consultório de forma indireta ou maquiada e, muitas vezes se transforma em um dos pontos chave de cuidado; ou seja, não poderia ficar de fora dos temas que trago aqui para reflexão.

Há tempos percebo o quanto os profissionais têm sido solicitados, muitas vezes cobrados, a exercer mais e mais tempo de ofício dentro do trabalho e sempre me pergunto o que isso quer dizer: é uma questão cultural? É um ponto contextualizado, como o período de crise que estamos passando no país atualmente? São valores distorcidos? Muita demanda para pouca mão de obra? Imagino que existam mil possibilidades de resposta ou justificativas para dar conta desta realidade corporativa.

A princípio diria sim a todos os apontamentos que fiz: sim, é uma questão cultural, o mercado brasileiro valoriza os profissionais que trabalham demais, é visto como ponto positivo; sim, a crise favorece este caminho para os profissionais que “ainda” não foram demitidos; sim, grande parte das vezes o trabalho vem em primeiro plano nos tópicos da vida; sim, hoje as empresas são bem enxutas, muitos profissionais acumulam funções e 24 horas são nada perto do que tem que ser realizado. Este é um olhar particular e não tenho a pretensão de desenvolvê-lo por este viés, aqui vou me atentar a repercussão dessa experiência na vida dos funcionários de forma geral.

Estar embutido neste cenário, se perceber realizando a vida profissional desta forma e ser valorizado por isso só torna essa realidade “normal” e quase inquestionável até algum outro pilar da vida gritar por atenção. E se acontece assim, estamos falando de um grito avassalador, que vai manifestar algum ou alguns outros pontos de descuido, de desordem ou até de perda. É nesta hora que percebo que minha saúde se foi, que não me alimento mais direito, que não tenho tempo para fazer algum exercício físico; que existe um abismo entre eu e minha esposa/marido; que não sei como, mas meus filhos cresceram de repente; e que todo aquele dinheiro que ganhei no bônus do ano retrasado ainda está intocado porque não tive tempo de gastá-lo ou investi-lo em algo que tivesse valor e/ou sentido pra mim. Pois é, alguma coisa tá errada!

Em maior ou menor escala é desta realidade que estamos falando, mas a boa notícia é que quanto antes nos dermos a chance de problematizar nossa vida, questionar nossas verdades e repensar nossas formas, antes teremos a possibilidade de estar mais equilibrados e em relações mais saudáveis com a grande maioria dos pilares, temas e tópicos que giram a nossa órbita. Esse olhar não exclui em nada a importância e o valor do trabalho, só o ajusta a todo leque de demandas que o ser humano tem capacidade de cuidar.

O lugar da Psicoterapia é um dos caminhos para movimentar tudo isso, questionar, colocar em jogo, cuidar e compreender através da fala, sendo que o terapeuta atua como um facilitador para tais manifestações, se disponibilizando a acompanhar de forma bem próxima este caminhar. Se dê essa oportunidade!

Matéria do mês de Abril para o site Opinião RH

Tempo e Trabalho

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Fenomenologia Existencial

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Por todo o tempo de construção do blog e de matérias para o site Opinião RH venho falando em Psicoterapia, mas percebi que nunca me atentei a falar de forma mais direta sobre minha linha de atuação: a Fenomenologia Existencial. Bom motivo para um novo texto, passando rapidamente pelo meu entendimento sobre Psicoterapia e posteriormente sobre a Fenomenologia.

A Psicoterapia é um processo que consiste na busca de uma compreensão mais ampla e profunda do existir do paciente a partir da queixa trazida pelo mesmo. As razões para busca da Psicoterapia são os grandes motivadores que constroem a possibilidade do processo, porém, via de regra, tais razões estão ancoradas em outras tantas questões que compõem a vida, que para se aproximar demanda tempo e disposição.

A Fenomenologia Existencial é uma perspectiva teórica da Psicologia que nasceu do pensamento filosófico e tem como principal expoente o filósofo alemão Martin Heidegger. Orienta seu olhar para o fenômeno, cujo enfoque se dá na complexa relação do homem com o mundo. Busca-se o sentido de ser, rompendo com a causalidade linear, com o pensamento calculante e suas representações teóricas.

Entendo a Fenomenologia como uma linha de atendimento clássica, dentro dos padrões comuns de funcionalidade para um processo de Psicoterapia, ou seja, na prática demanda a periodicidade mínima de 1 sessão por semana, com 50 minutos de duração e tempo indeterminado de processo; utiliza-se da fala, do verbal, como instrumento de trabalho e não se desenrola em nenhuma outra proposta alternativa de terapêutica. O grande diferencial, aos meus olhos, é com relação ao reporte teórico utilizado pelo Terapeuta.

 A compreensão do existir humano através da reflexão Heideggeriana permite o esclarecimento do viver do paciente segundo seu modo de ser-no-mundo junto com os outros, num mundo compartilhado; possibilitando, assim, que o olhar do terapeuta seja guiado pelos significados e sentido do modo de existir de cada paciente.

Grosso modo, para se aproximar da perspectiva Fenomenológica, parte-se da constatação simples e lógica de que não se pode compreender o Homem da mesma maneira que compreende-se outros seres e objetos, visto que cabe apenas ao Homem duas condições fundamentais ao existir: o ser livre o ser-para-morte. Ambas as condições são potenciais de angústia e culpa, já que a liberdade chama a cuidar da responsabilidade pelas próprias escolhas e a consciência da finitude chama a cuidar do estar vivo com valor e sentido.

Apesar das condições serem comuns a todos os Homens, cabe a cada um entender com qual disposição dará conta de ser-no-mundo e esse ponto é extremamente singular. Assim, o paciente em Psicoterapia Fenomenológico-Existencial tende a assumir uma postura mais ativa dentro do processo, apropriando-se da vida de forma mais responsável, encontrando maneiras mais saudáveis de relacionamento consigo e com o mundo, descobrindo seus potenciais e aprendendo a cuidar de forma criativa de sua existência.

A oportunidade de se (re) conhecer, na Psicoterapia, fala do saber de si mesmo, que acontece na aproximação com as próprias questões em uma relação de intimidade. A proposta é a de se comprometer em uma parceria na busca pela verdade do paciente; é a de construir um vínculo de confiança que ofereça a possibilidade de ouvir o que as emoções, comportamentos e relações têm a dizer; e a partir daí, elaborar novos caminhos para ultrapassar as dores e dificuldades. É a ocasião propícia para que a história do paciente seja revelada e tenha permissão para ser cuidada.

Grupos de Reflexão – A importância do treinamento dentro das Empresas

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Acredito ser essencialmente importante o investimento das empresas em treinamentos tanto técnicos quanto comportamentais. Nesta matéria atentarei ao desenvolvimento de grupos relacionados ao viés comportamental/emocional, visto ser meu foco de trabalho.

 Entendo os aspectos comportamentais enquanto sintomas e acredito na leitura dos mesmos como um caminho para o levantamento de necessidades e/ou identificação de demandas de um grupo.

 Os comportamentos traduzem, muitas vezes, dificuldades de comunicação, relacionamento, hierarquia, definição de papéis e crises diversas advindas de processos de perda ou aquisição (processos de mudança em geral).

 Uma das possibilidades de cuidado neste sentido se dá através dos grupos de reflexão, que são grupos operativos (de ação) aplicados ao ensino/aprendizado. Neste tipo de grupo enfatiza-se o indagar e o refletir sobre questões oriundas de determinado contexto profissional; visa à compreensão de demandas e dificuldades que podem impedir ou impossibilitar que o grupo realize suas tarefas.

 Na condução do treinamento valoriza-se a comunicação grupal e o levantamento dos pontos de tensão, sendo que quanto mais livre e espontânea torna-se a comunicação, maior a possibilidade de que surja um leque de emoções vinculado ao cenário trabalhado.

 A proposta é a de construir um espaço seguro e protegido para que os membros possam entrar em contato com o significado de seus sintomas e cuidar de suas reais necessidades. Protagonizar experiências, com o distanciamento necessário ao olhar crítico, possibilita ao grupo desvelar comportamentos viciados e nocivos. É um processo que permite lançar mão de novos recursos, construir novas possibilidades e modificar dinâmicas, com base na parceria e responsabilidade mútua.

 A vivência grupal também favorece a identificação de demandas individuais, o que permite o encaminhamento para um cuidado mais direcionado, como um processo de Psicoterapia.

 Grupos de reflexão bem sucedidos acabam tendo efeitos terapêuticos, pois fazem uso dos sentimentos como recurso criativo para fortalecer a confiança em todas as suas possibilidades: autoconfiança, confiança nas relações interpessoais, no grupo e confiança organizacional.

 Um time lúcido e próximo cresce em desempenho e realização, ou seja, a saúde do grupo se desdobra no aumento de produtividade, harmonia nos relacionamentos, interação adequada entre os papéis, melhor comunicação e ambiente equilibrado; o que só reitera a importância e o valor do investimento em treinamento e cuidado emocional dentro das empresas, que traz como consequência o sucesso da organização como um todo.

Matéria para o site Opinião RH

(https://opiniaorh.com/2016/03/10/grupos-de-reflexao-a-importancia-do-treinamento-dentro-das-empresas/)

O poder da Fala!

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No post desta semana escolhi um tema que faz parte do meu dia-a-dia e é minha maior ferramenta de trabalho no consultório: a Fala. Tão banal e ao mesmo tempo tão especial. Tão simples e tão avassaladora. Tão doce e tão agressiva. Pouco nos damos conta de sua dimensão nas relações de maneira geral e principalmente como um dos recursos mais efetivos para nossa saúde emocional. Não poderia deixar este tema de fora…

 

É comum as pessoas confundirem o contexto de Psicoterapia a um cenário corriqueiro de relação de amizade e/ou relação afetiva e não compreenderem o valor de estar neste lugar. Afinal, por que vou falar com um “estranho” se posso falar com minha melhor amiga? Se posso conversar com meu pai, com minha namorada?

 

Justamente o fato de ser um “estranho” faz do Psicólogo um profissional disponível para relação de maneira distinta: desprovida de julgamentos, de envolvimento, de história, vínculo afetivo, que geralmente tendem a modelar a forma comum de se relacionar.

 

Isso não quer dizer que a escuta e a fala do terapeuta sejam descuidadas, ao contrário, são sentidos tão apurados e trabalhados na intenção de receber, compreender e se colocar, que tendem a ser técnica e emocionalmente adequadas a situação, com o distanciamento necessário para um olhar menos contaminado e mais apurado.

 

Acredito que a fala torna real nossas questões mais íntimas, aquelas que geralmente tentamos esconder de nós mesmos ou simplesmente banalizamos, questões que não dimensionamos corretamente, que enxergamos de maneira distorcida, que temos medo de entrar em contato, entre outras mil opções. Ou seja, falar não é tão fácil, porém o não falar pode ser um caminho ainda mais difícil, por restringir nosso existir mais autêntico.

 

A questão é que falar sobre si não diz apenas do se comunicar e sim do se encontrar; não é a fala para o outro e sim a fala para si mesmo, daí o diferencial de um tempo, espaço e relação que permita e favoreça essa dinâmica, que gere a possibilidade de sair do impessoal, da rotina, das relações comuns para o exercício de um estar com o outro voltado ao autocuidado.

 

Infelizmente, muitas vezes esquecemos que os ouvidos mais próximos da nossa boca são os nossos e não nos atentamos, não validamos a própria fala, via de regra tão rica, que contempla todas as respostas que precisamos.

 

Em suma, a fala revela, a fala concretiza, a fala dá lugar no mundo para o que pensamos e sentimos. Veja aí a dimensão do seu poder e a partir daí a crença no cuidado através desta via tão importante. Se permita, se disponha e encontre tempo para ouvir, falar e estar por inteiro para si mesmo, essa é a grande abertura para um processo de Psicoterapia.

 

Saúde X Doença – Pensando a Psicossomática

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Entendo Psicossomática como um conceito redundante, afinal, existe a possibilidade de alguma doença não estar ligada também a uma experiência emocional? Aos meus olhos a ligação corpo e mente é uma condição do Homem.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o termo saúde diz respeito ao perfeito bem estar físico, mental e social do indivíduo e não apenas à ausência de doença; enquanto doença se caracteriza como um conjunto de sinais e sintomas específicos que afetam o indivíduo, alterando o seu estado normal de saúde. Ou seja, saúde e doença são conceitos que se referem a um estado do indivíduo, a um “estar sendo” que se modifica com constância.

Adoecer é um processo gradual, fala da somatória de fatores psicológicos, fisiológicos e sociais, além de ser uma possibilidade encontrada, muitas vezes, para denunciar desequilíbrios no pensar, agir e sentir do indivíduo. Basta que não se consiga dar conta de uma expressão, que não se encontre uma via psíquica para representação de algum conflito, que não se saiba conduzir uma questão subjetiva, para transformar conteúdos internos e/ou angústias em sintomas.

Todos os afetos e representações podem ser mobilizados no processo do adoecer e o sintoma é o ponto de partida para compreensão do sentido da doença; aponta para um caminho de cuidado; momento em que o indivíduo passa a pensar e prestar atenção em seu corpo e não só a vivê-lo. Este corpo passa a ser percebido porque foi problematizado e daí vem o estímulo para tentar encontrar mecanismos solucionadores.

Dependendo da maneira como o indivíduo encarará este processo, poderá ser destrutivo, de entrega ou fuga do problema, ou poderá ser um período de reflexão sobre si e os fatos acontecidos, que se segue por um desenrolar de crescimento, amadurecimento e principalmente autoconhecimento.

O necessário dentro deste contexto é reconhecer a doença como uma situação pessoal, da qual o próprio indivíduo define o curso, independente do diagnóstico, da evolução da doença já conhecida pela área da Saúde, do prognóstico e dos recursos para seu tratamento. Cabe ao indivíduo dar o caminho à sua enfermidade, significar a sua doença, o tratamento e toda situação da sua vida.

O corpo fala através da doença e o lidar com este processo se refere à capacidade de dar sentido ao que aparece e mudar a atitude em vista da doença. Desta forma ela vem a funcionar como um processo de reorganização e integração do indivíduo.

A proposta em um processo de Psicoterapia é a de caminhar junto ao paciente a fim de desvelar o sintoma e quebrar o padrão da doença, oferecer recursos para compreensão de seu processo e responsabilidade sob seu cuidado. A ideia é despertar o curador interno do paciente e deixá-lo aproveitar da doença para se tornar mais saudável.

Assim passa-se a entender saúde e, consequentemente doença, de uma forma mais plausível, desconstruindo a proposta fantasiosa de perfeição vinculada ao conceito e dando lugar a possibilidade de pensar Saúde enquanto um estado de harmonia entre o indivíduo e sua realidade.

A Pedra

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Este é um ótimo exemplo do quanto somos responsáveis por nossas escolhas e por como utilizamos nossas características, recursos e disposição para nos relacionar com o mundo.

É muito comum projetarmos nossas expectativas no que está fora, seja algo ou alguém, principalmente quando nos sentimos frustrados, com medo, com raiva, tristes, ansiosos ou angustiados. Mas o fato é que só temos a possibilidade de agir ou modificar algo que parta de nós mesmos.

Isso quer dizer que temos o controle de tudo que nos diz respeito? Infelizmente não, bom seria se tivéssemos esta garantia, mas a única verdade que temos é do quanto nos arriscamos na tentativa de fazer as coisas e/ou relações funcionarem, darem certo…e só!! E será que não é o suficiente? Acredito que possa bastar o sentir, elaborar e o fazer só da nossa parte; é o que temos enquanto possibilidade e é o necessário enquanto entrega. A partir daí estamos falando de crença e confiança no plantio.

A diferença está no nosso fazer, na nossa proposta, na nossa intenção de movimentar algo para que esse algo tenha uma repercussão. É muito interessante perceber o quanto surgem mudanças nos outros a partir das nossas próprias mudanças, é o inevitável: processo diferente = final diferente. E veja que não estou qualificando, o diferente não diz de ser melhor ou pior, apenas de ser diferente. A busca sempre é pelo melhor, mas esta é só uma grande aposta que fazemos a partir das novas ações.

Então, vamos tentar fazer o melhor uso possível da nossa relação com as coisas e pessoas. Ser fiel a si mesmo, honesto com sua proposta, cuidadoso com o processo, sensível com os vínculos e principalmente ter propriedade sobre seu fazer é o grande passo para se aproximar do que deseja e talvez o único passo que efetivamente se possa dar!

Arrisque-se!!

O meu “ser” Psicóloga!!

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Interessante pensar sobre este tema, sobre o meu exercício profissional…de cara o que posso afirmar é que depois de tantos anos me sinto muito a vontade com a forma que encontrei para estar neste lugar, mais livre, mais tranquila. 

Confesso que não achei fácil harmonizar as características pessoais com uma versão adequada profissionalmente. No início existe uma tendência a querer reproduzir formatos, referências e exemplos que, sem dúvida, geram mais segurança enquanto você ainda não tem a própria identidade profissional; mas com o tempo e a vivência do consultório você percebe que o mais adequado é construir a sua forma de ser Psicólogo (a).

É engraçado que, apesar de parecer um contexto muito livre, é muito fácil se aprisionar a mil regrinhas de como ser um (a) bom (a) Psicólogo (a): como se vestir, como e o que falar ao telefone, como receber seu paciente, como sentar, como tratar de valores, como como como…e como isso me deixava tensa! Na minha opinião essa cartilha não existe, não adianta se fantasiar de ser Psicólogo (a) e se perder no meio do caminho, o ideal é ser o seu ser mais autêntico, com suas características mais próprias direcionadas a uma relação que tem uma demanda específica: o cuidado com o outro.

É claro que para existir, a profissão precisa de parâmetros e regras, como tudo na vida, mas é importante não ficar refém de tudo isso, além do que, boa parte de como cabe conduzir um processo diz de bom senso, sensibilidade e conhecimento. Não faz sentido, aos meus olhos, conduzir da mesma maneira todos os processos de psicoterapia e perder a peculiaridade de cada relação que se constrói neste cenário.

Foi então que assumi minhas possibilidades de ser Psicóloga: sim, sigo regras de dias e horários fixos para meus pacientes; sim, atendo de 50 minutos a 1 hora a sessão, no mínimo uma vez por semana cada paciente e sim, sigo uma linha de atendimento: a Fenomenologia, minha referência de estudo.

Do mais acredito no encontro, na abertura do receber alguém e estar lá para ele (a), com as roupas que fazem parte do meu estilo, com a maquiagem que gosto de usar, com a proximidade que gosto de construir, com o toque, meu ser afetiva e humorada. Sim, dou risada, muitas vezes gargalhadas nas sessões, me emociono e uso da auto revelação como mais um recurso dentro do processo.

Talvez não seja a versão clássica que se imagina de um Psicólogo (a) e nem tenho a pretensão de julgar o que seria correto ou não dentro desta função; o que sinto é que não desejo estar escondida atrás de um papel e sim fazer um bom uso do lugar que ocupo nesta condição através da construção de uma relação genuína com meu paciente. Ele (a) tem que me sentir presente, ver verdade nos meus olhos, sentir segurança na minha fala pra que tudo isso ecoe de forma construtiva em seu processo. Por isso entendo que não posso ser inalcançável, inacessível, distante e opaca…quero ser apenas humana!