A Pedra

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Este é um ótimo exemplo do quanto somos responsáveis por nossas escolhas e por como utilizamos nossas características, recursos e disposição para nos relacionar com o mundo.

É muito comum projetarmos nossas expectativas no que está fora, seja algo ou alguém, principalmente quando nos sentimos frustrados, com medo, com raiva, tristes, ansiosos ou angustiados. Mas o fato é que só temos a possibilidade de agir ou modificar algo que parta de nós mesmos.

Isso quer dizer que temos o controle de tudo que nos diz respeito? Infelizmente não, bom seria se tivéssemos esta garantia, mas a única verdade que temos é do quanto nos arriscamos na tentativa de fazer as coisas e/ou relações funcionarem, darem certo…e só!! E será que não é o suficiente? Acredito que possa bastar o sentir, elaborar e o fazer só da nossa parte; é o que temos enquanto possibilidade e é o necessário enquanto entrega. A partir daí estamos falando de crença e confiança no plantio.

A diferença está no nosso fazer, na nossa proposta, na nossa intenção de movimentar algo para que esse algo tenha uma repercussão. É muito interessante perceber o quanto surgem mudanças nos outros a partir das nossas próprias mudanças, é o inevitável: processo diferente = final diferente. E veja que não estou qualificando, o diferente não diz de ser melhor ou pior, apenas de ser diferente. A busca sempre é pelo melhor, mas esta é só uma grande aposta que fazemos a partir das novas ações.

Então, vamos tentar fazer o melhor uso possível da nossa relação com as coisas e pessoas. Ser fiel a si mesmo, honesto com sua proposta, cuidadoso com o processo, sensível com os vínculos e principalmente ter propriedade sobre seu fazer é o grande passo para se aproximar do que deseja e talvez o único passo que efetivamente se possa dar!

Arrisque-se!!

O meu “ser” Psicóloga!!

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Interessante pensar sobre este tema, sobre o meu exercício profissional…de cara o que posso afirmar é que depois de tantos anos me sinto muito a vontade com a forma que encontrei para estar neste lugar, mais livre, mais tranquila. 

Confesso que não achei fácil harmonizar as características pessoais com uma versão adequada profissionalmente. No início existe uma tendência a querer reproduzir formatos, referências e exemplos que, sem dúvida, geram mais segurança enquanto você ainda não tem a própria identidade profissional; mas com o tempo e a vivência do consultório você percebe que o mais adequado é construir a sua forma de ser Psicólogo (a).

É engraçado que, apesar de parecer um contexto muito livre, é muito fácil se aprisionar a mil regrinhas de como ser um (a) bom (a) Psicólogo (a): como se vestir, como e o que falar ao telefone, como receber seu paciente, como sentar, como tratar de valores, como como como…e como isso me deixava tensa! Na minha opinião essa cartilha não existe, não adianta se fantasiar de ser Psicólogo (a) e se perder no meio do caminho, o ideal é ser o seu ser mais autêntico, com suas características mais próprias direcionadas a uma relação que tem uma demanda específica: o cuidado com o outro.

É claro que para existir, a profissão precisa de parâmetros e regras, como tudo na vida, mas é importante não ficar refém de tudo isso, além do que, boa parte de como cabe conduzir um processo diz de bom senso, sensibilidade e conhecimento. Não faz sentido, aos meus olhos, conduzir da mesma maneira todos os processos de psicoterapia e perder a peculiaridade de cada relação que se constrói neste cenário.

Foi então que assumi minhas possibilidades de ser Psicóloga: sim, sigo regras de dias e horários fixos para meus pacientes; sim, atendo de 50 minutos a 1 hora a sessão, no mínimo uma vez por semana cada paciente e sim, sigo uma linha de atendimento: a Fenomenologia, minha referência de estudo.

Do mais acredito no encontro, na abertura do receber alguém e estar lá para ele (a), com as roupas que fazem parte do meu estilo, com a maquiagem que gosto de usar, com a proximidade que gosto de construir, com o toque, meu ser afetiva e humorada. Sim, dou risada, muitas vezes gargalhadas nas sessões, me emociono e uso da auto revelação como mais um recurso dentro do processo.

Talvez não seja a versão clássica que se imagina de um Psicólogo (a) e nem tenho a pretensão de julgar o que seria correto ou não dentro desta função; o que sinto é que não desejo estar escondida atrás de um papel e sim fazer um bom uso do lugar que ocupo nesta condição através da construção de uma relação genuína com meu paciente. Ele (a) tem que me sentir presente, ver verdade nos meus olhos, sentir segurança na minha fala pra que tudo isso ecoe de forma construtiva em seu processo. Por isso entendo que não posso ser inalcançável, inacessível, distante e opaca…quero ser apenas humana!